Há de se ter bom senso e certo ceticismo
ante às despropositadas discussões entre religiosos das mais diversas denominações
mundo afora. Cada um, ao seu alvitre, defende convicções da instituição a qual pertence,
discussões ferrenhas imiscuídas de interesses próprios, muitas vezes, os interesses econômicos são o centro das "pregações". Cultuam a criatura e esquecem o Criador.
Chega-se ao absurdo de usar a mídia para
ataques rasteiros – quase diretos e pessoais
- à
Líderes desta ou daquela denominação, autodenominam-se “segmento evangélico”, uns pregam milagres e curas, passam o ano
fazendo campanhas semanais, leia-se “troca
de promessas por bênçãos”, uns garantem que o sucesso na vida está
intimamente ligado a quantia de dinheiro que se doa para a “igreja”, outros se
gabam de estar salvos pela graça, pois, os únicos que receberam o batismo pelo Espírito Santo.
Também, atualmente há quem pregue a doutrina
da prosperidade, os que creem que “o que declaro com minha boca é o que Deus
fará em minha vida”, e que o “cristão” deve carregar consigo a “marca da plena
fé, ser bem sucedido, ter saúde plena física, emocional e espiritual”, e que a
doença deriva de maldições, fracassos, vida de pecado e incredulidade. Cada religião tem seus líderes, mas, o equívoco é que uns apequenam os outros, e por aí se
“comercializa a fé” dos seus seguidores.
Denominação religiosa, religião e igreja são
opções pessoais de cada Ser Humano, mas, obediência e reconhecimento à Deus como
santo, puro, onipotente e onipresente, misericordioso e amoroso, faz com que a minha
religião e a religiosidade que pratico sejam profundamente repensadas.
Devo entender que “fachada de Igreja, esta ou àquela denominação” não me faz melhor ou
pior, não me torna mais nem menos puro ou pecador, muito menos santo ou incrédulo, em especial, nenhuma
fachada de igreja, crença ou denominação garante a salvação de nenhum de nós. A “igreja” que escolhi não me torna melhor ou mais abençoado que o meu
próximo.
Atualmente, o que se tem assistido é uma guerra de
interesses. Ataques públicos, inapropriados e perversos entre a grande maioria dos
que se dizem cristãos, evangélicos, pentecostais, neopentecostais, católicos ou
espíritas etc., dando a entender que os que não pertencem a mesma “denominação”
dos que criticam, estão perdidos ou são menores e piores aos que pertencem a
tal igreja, denominação, seita ou religião, como queira entender, ou como eu julgo meu próximo.
Já é passada a hora de maior reflexão.
Se gabo em ser Cristão, é meu dever olhar
o próximo com humildade e igualdade, devo, primeiro, amar meu próximo, obedecer
e reconhecer a Cristo como Mantenedor da minha existência e o meu único Salvador,
seguir suas pisadas e guardar os seus mandamentos, pelo menos, diariamente, tentar amar como Ele nos ama;
Se autodenomino Evangélico, é meu dever seguir e anunciar a
mensagem do evangelho. E quem é esse evangelho? É Jesus. Então, devo
pregar o evangelho pregado por Jesus, de forma coerente, verdadeira e sem
acrescentar ou suprimir nem um til ou uma vírgula (Apoc. 22:18-19;
Mateus 5:17-19);
Se Pentecostal ou Neopentecostal, não devo sair por aí me gabando de ser
melhor ou mais abençoado que você, porque, eu
recebi o batismo do Espírito Santo, e você não, como se “a minha fé é mais poderosa que a
sua, o meu Deus é mais
poderoso que o seu, e se eu
sou mais propenso a receber bênçãos que meu irmão que é de outra denominação;
Se Católico, e acredito ser a
igreja fundada por Cristo, e que a minha
igreja é a única autêntica
frente às demais, e acredito que Deus outorga sua graça por meio dos
sacramentos, eu sou um crente, e não
devo criticar os que se dizem ser Cristãos, crentes ou evangélicos, até porque,
católicos acreditam em Cristo (são
cristãos), creem em Deus (são
crentes) e pregam mundo afora (são
evangélicos) como os demais;
Especialmente, os
Espíritas, que acreditam na existência e unicidade de Deus, que Ele é algo e
não alguém; creem que o Universo foi criado por Deus (então são crentes) que, inclusive, Jesus, criado por Deus, é o guia
e modelo para toda a humanidade (então,
são Cristãos); ensinam que apenas Deus possui perfeição absoluta e infinita
de todas as coisas (da mesma forma, são
evangélicos, pois, também pregam Deus e Jesus como infinitamente santos); e
quem semeia o bem colhe o bem, da mesma forma, quem semeia o mal, colhe o mal; na
imortalidade do espírito e sua volta à matéria; acreditam no livre arbítrio, na
pluralidade dos mundos habitados; valorizam a caridade e a benevolência para com todos, etc.
Há de se reconhecer que, raríssimas são as exceções, em que se vê Espíritas digladiando religião ou religiosidade, e mais raro ainda, é vê-los apequenando esta ou àquela denominação religiosa. Há de respeitá-los nesse prisma.
Na mesma toada, judeus, hindus, budistas,
religiões africanas, islamismo, além de uma infinidade de opções e escolhas
religiosas existentes no mundo, em todas, sem exceção, há pessoas de todas as
estirpes, não mais ou menos fervorosas que você e eu, não menos abençoadas e
reconhecidas por Deus, e nem menos merecedoras da misericórdia e do amor de Dele, nem piores ou melhores que eu e você.
Na minha visão, falta-nos espelhos e carregamos faróis em excesso, há completa ausência de humildade e enorme abuso de arrogância religiosa, o que é abominável aos olhos de Deus. Somos todos iguais aos pés de Deus,
porque, por Ele fomos criados, somos todos iguais, fracos e mortais, pobres, cegos e
nus, e nem todo o dinheiro do mundo pode mudar isso. Ou você se acha mais
importante?
Se eu ou você, em algum momento da vida
temos o sentimento de superioridade ou inferioridade aos demais, se imagino que
a minha religião é melhor que a sua, se me acho melhor que você perante Deus ou perante a sociedade, é
hora de parar e refletir. Creio que o único caminho é buscar o Deus que eu e
você cremos, porque, só com Seu amor e misericórdia, Ele nos concederá a graça e
nos permitirá entende-lo e aceitá-lo.
Repense!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário