sábado, 13 de junho de 2015

PERDA IMINENTE...

... Sexta-feira, 23 de novembro de 2001, com certeza o dia mais comprido, tenebroso e triste da minha vida. Perdi meu brother do coração. Cara honesto, brincalhão, bonitão e feliz, um homem simples, o qual, com maestria e sabedoria soube conduzir a vida, o melhor caminhoneiro do mundo teve um mal súbito pela manhã, submeteu-se a uma cirurgia altamente invasiva, e dormiu... não acordou mais. Deixou-me a ver navios, sozinho. Se foi cedo demais. E logo ele que sempre brincava que quando a morte chegasse ele daria um drible nela. Coisas que só Deus pode explicar!

Ainda tivemos a oportunidade de estar juntos até as 17hrs do dia 24, um sábado sombrio. A noite inteira, naquele silêncio ensurdecedor, quase eterno, ‘falamos’ muito. Trocamos altas idéias... até sorri lembrando das suas piadas e histórias. Tudo foi selado com aquele último beijo, levaram-no... tiraram-lhe de mim de uma vez por todas, mas, com certeza, o sopro de vida já havia sido recebido pelo Criador, e meu velho continuou seu sono noutro endereço, quadra M, lote 811, Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia - GO. 

Depois dessa fatalidade, todas as noites, parece que ainda sonhando, por muitos meses esperei o telefone tocar. Esperei ouvir a mesma pergunta de sempre: “e aí tchê, como foi seu dia?” Eu não queria acreditar. Parece que minha bússola enlouqueceu. Perdi o centro, fiquei totalmente desnorteado. Restaram minhas cinco mulheres e eu.

Dizem que a perda de uma mãe está na lista dos lutos mais doloridos e longos da vida de uma pessoa, mas, já se passaram mais de treze anos, e parece que meu pai me deixou hoje, porque nossa relação sempre foi muito forte, sentimental, verdadeira e íntima. Meu amigo. A dor chega a cortar... até porque, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito...  

Pouco tempo depois, minha mãe, já debilitada emocionalmente, vitimada por um grave acidente de trânsito, manifestou desequilíbrio mental, chegando ao veredicto de doença mental progressiva que carregou por toda a vida sem ninguém saber, e o Alzheimer... Começou seu longo calvário. Passados anos de ausência de vida plena, hoje vegeta num leito. E o pior, nada pode ser feito pelos homens. Só a espera da vontade do Criador. Só Ele sabe o seu destino.

Minha irmã e eu estamos preparados? Não. Penso que ninguém tem capacidade e nem força para administrar essa triste espera. Sabe-se que a perda é certa. Não se sabe quando. O que se tem certeza é dos inúmeros pedidos de queridos, rogando para que Deus não permita que ela sofra mais ainda.

Nossa cultura remete a figura da mãe à segurança, refúgio, aconchego, orientação e cuidado, e parece que quando mãe adoece e perece em males irreversíveis, tudo isso perece com ela. Mesmo adultos, com nossas vidas já resolvidas – pelo menos é o que deveria - apesar de desencontros de relacionamentos no decorrer da vida, os quais carreguei silente por longos trinta e quatro anos – que só ela, eu e pouquíssimos queridos temos conhecimento –, nossas mentes resgatam nesta hora de iminente perda, que tudo está se esvanecendo. Nossa última referência está indo... E a sensação de vazio que fica, dependendo de cada relação, do relacionamento, da história, será o tamanho do impacto que certamente será vivido com essa iminente perda.  

As críticas são enormes, sempre foram, porque é público que sempre tive melhor relação com meu pai. Fomos amigos. Mas, geralmente, quem me critica, o faz sem conhecer o cerne da relação mãe x filho. Nem tentem. Nunca saberão a realidade. Não merecem saber. O certo é que quem me critica, são pessoas mal resolvidas e que vêem nos outros os seus próprios problemas. São os carniceiros de plantão, desprovidos de inteligência e de capacidade de imaginar a importância e a valia que minha mãe representa em meu peito. Não sabem calcular a proporcionalidade da falta que ela fará no dia que faltar... aliás, a falta que sempre fez minha vida afora. Só eu sei o tamanho desse rombo. Só eu sei o peso e o significado daquele tímido e singelo beijo, na tarde de 24.11.01. O primeiro que ganhei, talvez, o único que eu me lembre. Mas, valeu!!!  

Dores, arrependimentos, desculpas mútuas, revoltas, tudo já passou. Não se tem falta de perdão, mas, cicatrizes profundas ficaram. Agora, é o momento da busca do perdão pessoal por não ter a capacidade de aceitar o processo natural da perda iminente. Mas, o alívio é que Deus está no controle de todas as coisas. O tempo não é meu, nem da minha irmã, é só Dele.

A verdade mais cruel virá com a indiscutível perda. Tento me preparar psicologicamente e espiritualmente, mas, meu físico reclama muito forte. Guardo somente as boas imagens, preservo os bons momentos, as verdades, qualidades e os defeitos, afinal, não é porque ela está demente que virou santa. Isso não. Mas, com todos os possíveis defeitos, ela tem muitas qualidades, ela que me gerou, é minha mãe, e fim de papo.    

O indispensável e que eu exijo, é que respeitem os nossos sentimentos. Especialmente o meu, que não conhecem, não tem o mínimo conhecimento. Terceiros, parentes próximos ou não, não têm o direito e muito menos a capacidade de sopesar sentimentos que carregam os que serão órfãos. Desconhecem qual o vínculo afetivo, se intenso ou não, quais as dores vividas, quantos desencontros e desconfortos e quais suas origens, quais os sonhos não vividos ou interrompidos, quantas feridas ficaram abertas por anos, quais e quantas sequelas, etc, etc... Não sabem nada da história das nossas vidas. Esses críticos são os falsos moralistas, desprezíveis, desmerecedores de qualquer atenção e consideração. Verdadeiros fariseus. Falta-lhes nobreza!

O certo é que "enquanto a carruagem passa, os cães ladram."    

Quando? Não sabemos. Mas, ela vai partir sem poder dizer adeus, sem força para um abraço, sem nada mais. Simplesmente, vai... Ela merece descansar desse fardo pesado que tem carregado. Sempre teve saúde frágil. Vez por outra, faltou-lhe até o ar que tentava respirar. Sempre sofreu, mas, teve o cuidado dos Céus durante a vida. Seria covardia querer seu aconchego, pelo menos, uma segunda vez.

As únicas certezas que tenho é que em breve serei realmente um órfão, e também, que Cristo disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. João 11:25


Que Deus vele por ela e não a deixe sofrer.  




DESCULPAS À NOVA SEMENTE E AO MAURÍCIO MANIERI

Desde criança fui criado na Igreja Adventista do Sétimo Dia, e durante toda minha vida, naturalmente um amante da ampla defesa e do contraditório, tenho pesquisado e confrontado o que ouço. Sou crítico por natureza, reconheço, mas, aprendi a refletir minhas convicções e críticas. 

Sei que nem tudo que é falado nas igrejas provém de Deus, até porque, como todas as denominações pelo mundo, a IASD é dirigida por homens que erram, tem seus orgulhos e vaidades, seus sonhos e também ranços, e nem sempre são realmente ungidos por Deus.

Estive lendo uma publicação sobre as visitas do cantor Maurício Manieri – final de 2013 e início de 2014 – na Nova Semente, dirigida pelo Pastor Cléber Gonçalves, e senti certo desconforto. Fiquei constrangido e envergonhado pelos comentários maldosos, desprovidos de espírito cristão, que confrontam com o que é ensinado por Deus.

Até certo ponto, entendo a ignorância de alguns, porque, quando vi a Nova Semente pela primeira vez, revesti-me da prepotência e arrogância – de conhecimento bíblico - natural de quase todo adventista, e prejulguei erroneamente o trabalho do Pr. Cléber Gonçalves. Repensei, reconheci, e me corrigi. A Nova Semente faz um trabalho excepcional, e que deve ser seguido.

Os adventistas são conhecidos mundo afora por professar uma fé estribada em 28 crenças retiradas da Bíblia Sagrada, dentre elas, destaco quatro, em fragmentos:  

a) A IGREJA: “[...] A Igreja é a família de Deus; [...]”;
b) UNIDADE NO CORPO DE CRISTO: A Igreja é um corpo com muitos membros, chamados de nação, tribo, língua e povo. Em Cristo somos uma nova criação; distinções de raça, cultura e nacionalidade, e diferenças entre altos e baixos, ricos e pobres, homens e mulheres, não deve ser motivo de dissenções entre nós. Todos somos iguais em Cristo, [...]; devemos servir e ser servidos sem parcialidade ou restrição.[...].;
c) A LEI DE DEUS: Os grandes princípios da lei de Deus são incorporados nos Dez Mandamentos e exemplificados na vida de Cristo. Expressam o amor, a vontade e os propósitos de Deus acerca da conduta e das relações humanas, e são obrigatórias a todas as pessoas, em todas as épocas. [...] A Salvação é inteiramente pela graça, e não pelas obras, mas seu fruto é a obediência aos mandamentos. Essa obediência desenvolve o caráter cristão e resulta numa sensação de bem-estar. É uma evidência de nosso amor ao Senhor e de nossa solicitude por nossos semelhantes. [...].
d) CONDUTA CRISTÃ: Somos chamados para ser um povo piedoso que pensa, sente e age de acordo com os princípios do Céu. [...].”

Quando esteve no programa Conexão, Maurício Manieri tinha acabado de compor uma canção chamada “Hoje”. Sua participação no programa emocionou muitos dos presentes, pois, depois de ficar confinado num reality show por dois meses, longe de tudo, da sua família, percebeu que “desde que tomou a decisão de colocar  Deus em primeiro lugar na sua vida, encontrou respostas e tem recebido muitas bênçãos.”  E continuou dizendo: “Lá Deus começou a conversar comigo, comecei a ler a Bíblia e buscar respostas de que precisava. Todas as perguntas que fiz, Deus me respondeu”... “ganhei não o prêmio em si, mas ganhei Deus conversando comigo!”, e terminou afirmando que “Deus tem um plano para a vida de cada pessoa. Depende de nós O colocarmos em primeiro lugar e nos entregarmos a Ele.”

O que é péssimo, é que consta na internet, comentários maldosos e pejorativos de alguns adventistas criticando tanto a Nova Semente, quanto a presença de Maurício Manieri no programa Conexão. Isso bate de frente e contradiz profundamente as crenças que pregamos de que “somos a família de Deus, somos iguais em Cristo, solicitude aos nossos semelhantes, e o pior, esse tipo de crítica não faz parte do caráter de um Cristão.”

O verdadeiro Cristão acolhe seu irmão.  O aceita como ele é. Não julga, nem dá às costas... Deus ama todos os pecadores, sem exceção. E quem sou eu ou você para julgamentos? 

Conta-se que Sócrates pautou sua vida em três pilares: a VERDADE, a BONDADE e a NECESSIDADE, e esses três pilares foram transformados em peneiras durante toda sua vida. Da mesma forma, todo Cristão, independente de crença, religião ou credo, antes de julgar o próximo deve refletir, a) se o fato é absolutamente verdadeiro; b) mesmo se o fato for verdadeiro, se gostaria que os outros também comentasse a seu respeito, e c) entendo como o mais importante, deve-se analisar a necessidade de julgar pessoas, ou até mesmo passar o comentário adiante.

Já dizia Platão: “Pessoa inteligentes falam sobre idéias; pessoas comuns falam sobre coisas, e pessoas mesquinhas falam sobre pessoas.”

Conta uma estória que “Chegando no céu, algumas pessoas questionaram grupos que estavam separados: uns cantavam, outros dançavam de alegria, batiam palmas, felizes e alegres. Outro grupo estava recluso dentro de um muro bem alto, calados, falando baixinho... E Deus foi convidado para esclarecer o que estava acontecendo, e respondeu que: “os que cantavam  estavam felizes, eram protestantes, católicos, batistas, e demais denominações de todo o mundo. Estavam felizes pela salvação.” Mas, o interessado perguntou à Deus: e esses que estão dentro do muro? Deus respondeu: “fale baixinho... são os adventistas. Eles pensam que só eles estão salvos”. Óbviamente, se trata de uma estória, mas, que tem enorme fundamento, pois, grande parte dos adventistas se gabam por ser o povo salvo, o único povo que Deus aceita como fiéis, etc... Ledo engano. Santa ignorância!!!

Certo é que ainda é tempo dessas pessoas que fizeram comentários eivados de ranço e ignorância, principalmente, os que se acovardaram e se apresentaram como anônimos, à pedir desculpas publicamente, tanto à Nova Semente, quanto ao Pr. Cléber Gonçalves, especialmente, ao cantor Maurício Manieri, porque, esses tipos devem entender que palavras são como lanças, e tem o poder tanto de curar como o de destruir, especialmente, “nossas palavras demonstram nosso caráter”. Não fosse Maurício Manieri inteligente e resolvido, poderia ter sido influenciado a dúvidas desse deus que esses hipócritas, arrogantes e prepotentes pregam. Ainda bem que ele tem Deus no coração. 

A verdade é que temos que conviver com fariseus... 

Ao Maurício e ao Pastor Cléber, que Deus continue iluminando seus caminhos, dando-lhes inteligência e sabedoria para servi-lo.  

Faço minhas as palavras de Maurício Manieri: “ Mesmo que o mundo diga que não tem mais chance, que não tem mais jeito, há sempre a esperança de uma nova vida. Tudo o que está acontecendo na minha vida mostra isso. Faça o que você precisa fazer, mas, coloque Deus no comando. As coisas vão fluir de maneira mais tranquila, fantástica e maravilhosa.”

Doravante, sei que vai chover de críticas, mas, “As pessoas que falam mal de mim são como lixas. Podem me arranhar, me machucar ou me fazer chorar, mas no final. Eu sairei muito mais lindo e polido, e as lixas? Apenas gastas e feias!”

Que Deus nos perdoe e nos faça homens sensíveis aos nossos semelhantes, tire a trave dos nossos olhos e nos dê espelhos para que possamos parar e refletir sobre nossa imagem doentia e pecaminosa.

Repense antes de criticar...!