sábado, 20 de fevereiro de 2016

SOLTE A CORDA...


Oscar Wilde, renomado escritor e poeta de origem irlandesa, de forma brilhante apregoou o que é o perdão, ao aconselhar: "Não deixe de perdoar os seus inimigos. Nada os aborrece tanto." Presumo que esse entendimento se trata de uma paráfrase às recomendações de Cristo, registradas em Lucas 6:27/28: Mas eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam”. Isso não é nada fácil, mas, traz inúmeros benefícios para quem sente ódio ou mágoa pelo seu semelhante.  

Vivemos lutando e buscando a tal felicidade, e ela é mais simples do que se imagina, não está relacionada a bens materiais, status, sucesso ou fama, nem a qualquer fato externo. A felicidade está dentro de nós! Está refletida pela forma como comportamos, falamos, encaramos e reagimos aos mais diversos fatos da vida. É o resultado das nossas escolhas.

Quase mil anos a.C., o sábio Rei Salomão escreveu aos Provérbios 24:3-4 que “Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida. Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável." 

Os sentimentos que carregamos influenciam diretamente em nossa saúde física e emocional. Muitas pessoas são tristes, irritadas, desanimadas, insatisfeitas e depressivas, e não conseguem alcançar paz interior ou demoram entender esses estados. Na verdade, esses tipos de sentimentos estão ligados diretamente à mágoa, falta de perdão e aos desafetos que essa pessoa carrega dentro de si.

Isso é completa falta de amor e respeito entre as pessoas, sentimentos obrigatórios que devemos carregar dentro de nós, pois, “tratar meu inimigo com respeito é entender como Deus trata a todos, com igualdade.” Devemos partir do princípio de que somos todos iguais, e que a pessoa que eu possa estar odiando carrega consigo dons e outros bons comportamentos que eu não tenho comigo. Devemos ser benevolentes! Temos que entender que essa pessoa também recebe bênçãos dos céus.

Fácil falar, não? Nem falar é fácil, mas, a única forma de encontrar paz interior, é orar pelas pessoas que possa ter nos magoado. Orar pela família dessa pessoa, o que não significa que Deus exige que gostemos dessa pessoa, mas, que não guardemos mágoa ou ódio. Pessoas que guardam ressentimentos são amargas, vivem remoendo o passado, são tão ignorantes que carregam dentro de si a pessoa que odeia pelas vinte e quatro horas do dia. Quem carrega ressentimentos contra alguém tem a tendência de cometer más ações, e prejudica outras pessoas como se estivesse vingando de quem o ofendeu. 

Ranços, ressentimentos, ódios e rancores estão diretamente ligados à inveja, a raiz de todos os pecados e produto do orgulho. A essência da inveja nunca é para o bem. Ela agride, traz limitações aos nossos sentimentos mais nobres, além de acalentar a tristeza e o descontentamento, como acontece com quem não sabe perdoar. Devemos questionar e tentar entender nossa serventia nesse mundo, porque, só os mansos herdarão o reino de Deus. Sou eu manso? Essa é a pergunta que devo fazer todos os dias e olhando no espelho. 

Devemos entender que fazemos parte de uma cultura de incoerências. Competimos para vencer sempre, passando por cima dos outros, custe o que custar, querendo ser melhores que os outros, talvez, agindo sem qualquer escrúpulo, pois “eu” é o que interessa. 

O perdão traz muitos benefícios, dentre eles o benefício emocional. Perdoar traz cura à mente, à nossa emoção, e extirpa todo resquício de amargura, ressentimento e rancor que devasta a vida de quem odeia alguém. Retira o veneno do ódio de dentro de nós, porque, quem é rancoroso anda diariamente sobre brasas.

Traz ainda, o benefício físico, porque, quem não sabe perdoar destrói a mente, e traz sérios problemas para si próprio. Cada mágoa é como uma pessoa que tem medo de avião. Enquanto ele voa a situação de stress perdura. Além disso, mágoa consome energia, porque o cérebro não sabe distinguir se a mágoa é recente ou não.

Cientistas da Universidade de Michigan concluíram que viver controlado pelo rancor é suicídio, é devastador para o cérebro. O estado de ressentimento crônico tem poder letal tanto quanto a obesidade, o fumo e as doenças do coração. Rancor causa morte precoce, e a mágoa corrói o cérebro ao produzir substância química ligada ao stress, além de consumir energias. A probabilidade de morte precoce é três vezes maior do que por outras doenças.

Jó 18:4, na Bíblia na Linguagem de Hoje, diz que “Com sua raiva, você só está se ferindo. Será que, por você estar zangado, o mundo vai virar um deserto? Será que por sua causa, as montanhas vão mudar de lugar?”.  

O perdão traz benefício relacional,  porque, tanto a raiva, quanto o rancor e ódio são como um nó numa corda. Quanto mais você aperta mais fica difícil para desatá-lo. Por isso, ao perdoar, você relaxa o seu lado, e por mais que a outra ponta puxe a corda o nó tem a tendência de se afrouxar. Desatar nós exige persistência, humildade e determinação.

1 Pedro 3:8-9, diz que “Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal com mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes benção por herança.”  Ou seja, a palavra ríspida puxa a corda e aperta o nó, já a resposta calma desvia a fúria e relaxa o nó. 

Finalmente, o perdão traz o benefício espiritual. Nosso relacionamento com Deus é profundamente afetado se recusamos a perdoar a quem nos causou danos. Ademais, ninguém pode estar ligado a Deus e ao mesmo tempo recusar oferecer perdão a outra pessoa.

Cabe reflexão, pois, se eu não perdoo meu próximo, estou claramente menosprezando o sofrimento de Cristo na cruz, porque Ele deu sua própria vida para perdoar os meus e os seus pecados. Se você não consegue perdoar, “solte o seu lado da corda. Afrouxe isso”, mude de atitude, pergunte a si mesmo o que você pode fazer, pergunte o que essa pessoa significa para Deus, porque Ele estende o seu perdão à nós e vê que nós estamos recusando o perdão aos que nos rodeia. 

Quer praticar o perdão? Quebre perguntas em pedaços: "Quem, o que, como, quando e aonde". Pergunte QUEM é o seu inimigo; o QUE Deus espera e quer de você; PORQUE essa raiva ou esse ódio, e COMO colocar o perdão em prática.  

Agora, o QUANDO e AONDE, só entre eu ou você e Deus isso pode ser resolvido. É personalíssimo, e depende estritamente da minha ou da sua vontade. Depende do primeiro passo em soltar a corda. Reflita!!!

Boa semana!