Oscar Wilde, renomado escritor e
poeta de origem irlandesa, de forma brilhante apregoou o que é o perdão, ao aconselhar: "Não deixe de perdoar os seus inimigos. Nada os aborrece
tanto." Presumo que esse entendimento se
trata de uma paráfrase às recomendações de Cristo, registradas em Lucas
6:27/28: “Mas
eu digo a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos
que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os
maltratam”. Isso não é nada fácil, mas, traz inúmeros benefícios para quem sente ódio ou mágoa pelo seu semelhante.
Vivemos lutando e
buscando a tal felicidade, e ela é mais simples do que se imagina, não está
relacionada a bens materiais, status, sucesso ou fama, nem a qualquer fato
externo. A felicidade está dentro de nós! Está refletida pela forma como
comportamos, falamos, encaramos e reagimos aos mais diversos fatos da vida. É o resultado das nossas escolhas.
Quase mil anos a.C.,
o sábio Rei Salomão escreveu aos Provérbios 24:3-4 que “Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida. Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável."
Os sentimentos
que carregamos influenciam diretamente em nossa saúde física e emocional. Muitas pessoas são tristes, irritadas, desanimadas, insatisfeitas e
depressivas, e não conseguem alcançar paz interior ou demoram entender esses
estados. Na verdade, esses tipos de sentimentos estão ligados diretamente à
mágoa, falta de perdão e aos desafetos que essa pessoa carrega dentro de si.
Isso é completa
falta de amor e respeito entre as pessoas, sentimentos obrigatórios que devemos
carregar dentro de nós, pois, “tratar meu inimigo com respeito é entender como
Deus trata a todos, com igualdade.” Devemos partir do princípio de que somos
todos iguais, e que a pessoa que eu possa estar odiando carrega consigo dons e outros
bons comportamentos que eu não tenho comigo. Devemos ser benevolentes! Temos
que entender que essa pessoa também recebe bênçãos dos céus.
Fácil falar, não?
Nem falar é fácil, mas, a única forma de encontrar paz interior, é orar pelas
pessoas que possa ter nos magoado. Orar pela família dessa pessoa, o que não
significa que Deus exige que gostemos dessa pessoa, mas, que não guardemos
mágoa ou ódio. Pessoas que
guardam ressentimentos são amargas, vivem remoendo o passado, são tão
ignorantes que carregam dentro de si a pessoa que odeia pelas vinte e quatro horas do dia. Quem carrega ressentimentos contra alguém tem a tendência de cometer más ações, e prejudica outras pessoas como se
estivesse vingando de quem o ofendeu.
Ranços, ressentimentos, ódios e rancores estão diretamente ligados à inveja, a
raiz de todos os pecados e produto do orgulho. A essência da inveja nunca é
para o bem. Ela agride, traz limitações aos nossos sentimentos mais nobres, além de acalentar a tristeza e o descontentamento, como acontece com quem não sabe perdoar. Devemos questionar
e tentar entender nossa serventia nesse mundo, porque, só os mansos herdarão o
reino de Deus. Sou eu manso? Essa é a pergunta que devo fazer todos os dias e olhando no espelho.
Devemos entender
que fazemos parte de uma cultura de incoerências. Competimos para vencer sempre,
passando por cima dos outros, custe o que custar, querendo ser melhores que os
outros, talvez, agindo sem qualquer escrúpulo, pois “eu” é o que interessa.
O perdão traz muitos benefícios, dentre eles o benefício
emocional. Perdoar traz cura à mente, à nossa emoção, e extirpa todo
resquício de amargura, ressentimento e rancor que devasta a vida de quem odeia alguém.
Retira o veneno do ódio de dentro de nós, porque, quem é rancoroso anda
diariamente sobre brasas.
Traz ainda, o benefício físico, porque, quem não sabe
perdoar destrói a mente, e traz sérios problemas para si próprio. Cada mágoa é
como uma pessoa que tem medo de avião. Enquanto ele voa a situação de stress
perdura. Além disso, mágoa consome energia, porque o cérebro não sabe
distinguir se a mágoa é recente ou não.
Cientistas da
Universidade de Michigan concluíram que viver controlado pelo rancor é
suicídio, é devastador para o cérebro. O estado de ressentimento crônico tem
poder letal tanto quanto a obesidade, o fumo e as doenças do coração. Rancor
causa morte precoce, e a mágoa corrói o cérebro ao produzir substância química
ligada ao stress, além de consumir energias. A probabilidade de morte precoce é
três vezes maior do que por outras doenças.
Jó 18:4, na
Bíblia na Linguagem de Hoje, diz que “Com sua raiva, você só está se ferindo.
Será que, por você estar zangado, o mundo vai virar um deserto? Será que por
sua causa, as montanhas vão mudar de lugar?”.
O perdão traz benefício relacional, porque, tanto a raiva, quanto o rancor e ódio
são como um nó numa corda. Quanto mais você aperta mais fica difícil para
desatá-lo. Por isso, ao perdoar, você relaxa o seu lado, e por mais que a outra
ponta puxe a corda o nó tem a tendência de se afrouxar. Desatar nós exige
persistência, humildade e determinação.
1 Pedro 3:8-9,
diz que “Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente
amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal com mal ou injúria por
injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes
chamados, a fim de receberdes benção por herança.” Ou seja, a palavra ríspida puxa a corda e
aperta o nó, já a resposta calma desvia a fúria e relaxa o nó.
Finalmente, o
perdão traz o benefício espiritual. Nosso
relacionamento com Deus é
profundamente afetado se recusamos a perdoar a quem nos causou danos. Ademais, ninguém
pode estar ligado a Deus e ao mesmo tempo recusar oferecer perdão a outra
pessoa.
Cabe reflexão, pois, se eu não
perdoo meu próximo, estou claramente menosprezando o sofrimento de Cristo na cruz, porque
Ele deu sua própria vida para perdoar os meus e os seus pecados. Se você não
consegue perdoar, “solte o seu lado da corda. Afrouxe isso”, mude de atitude,
pergunte a si mesmo o que você pode fazer, pergunte o que essa pessoa significa
para Deus, porque Ele estende o seu perdão à nós e vê que nós estamos recusando
o perdão aos que nos rodeia.
Quer praticar o perdão? Quebre perguntas em pedaços: "Quem, o que, como, quando e aonde". Pergunte QUEM é o seu inimigo; o QUE Deus espera e quer de você; PORQUE essa raiva ou esse ódio, e COMO colocar o perdão em prática.
Agora, o QUANDO e AONDE, só entre eu ou você e Deus isso pode ser resolvido. É personalíssimo, e depende estritamente da minha ou da sua vontade. Depende do primeiro passo em soltar a corda. Reflita!!!
Boa semana!
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