sábado, 9 de maio de 2015

AMIGOS... 

Dias passam, anos se foram, passamos pela infância, adolescência, juventude, e chegamos aos cinqüenta... acabou aquela pressa de quando somos adolescentes e brigamos com os dias para completar a maioridade. Hoje as prioridades são outras, os anseios e sonhos são outros. Somos cobrados diariamente pela obrigatoriedade de ter mais equilíbrio emocional, financeiro e profissional. A realidade tem que ser outra. 

Os amigos já não são os tantos que tínhamos outrora. As amizades tomaram rumos diferentes, cada um corre atrás dos seus interesses, dos seus sonhos, umas se vão, as verdadeiras ficam.

Aprendi que até a idade pode ser uma questão de opinião. Muda-se de acordo com o ponto de vista de cada um, mas, amizades não. Discordo plenamente de que amizades tem prazo de validade. Não, não tem. Pessoas não são coisas, nem produtos de consumo, mas, se afastam umas das outras por algum motivo.

Agora, amizade verdadeira e duradoura, é irmandade escolhida a dedo. É o bem querer mais nobre do Ser Humano. É a demonstração de afeto, amor, carinho e cuidado mais profunda que se possa ter. É o querer desinteressado. É o afeto divino espelhado em pessoas especiais. 

Os “pseudo-amigos” que eu tive e se foram, é porque não passaram de coleguismos travestidos e eivados de interesses. Foram como chuva de verão e o tempo levou o que nunca tinha de ser. Perderam a validade ou nunca as tiveram. Não valeu!

Hoje não. Minhas amizades são especiais, são como diamantes lapidados, são pedras preciosas valiosíssimas, raras, são como flores no deserto, no meu coração, na minha memória, segredadas e guardadas a sete chaves.

Não sou de guardar mágoas porque, pra mim, um simples gesto sobrepõe à tudo de ruim que possa ter acontecido entre amigos. Todos erramos e não sou menos errante que ninguém.

Hoje uma pessoa muito especial me deixou claro que “tudo que se faz e se doa, tem algum interesse por detrás”. Chega a ser decepcionante!!!

Parece que vivemos numa sociedade em que os interesses “coisificam e petrificam” as pessoas. Parece que somos obrigados a viver rotulados e da forma ditada pela maioria desinteressada por gente, que vive da frieza de sentimentos nobres, ausentes de amor, de fidelidade e do real sentido da amizade.

Gabriel Chalitta ensina que “... Estamos acostumados a viver em um mundo em que as pessoas agem na expectativa de reciprocidade. A ação traz uma reação. Infelizmente, não se encontra sabor em relações desinteressadas. A suposta amizade vive de expectativas.[...] Tempos em que adornos valem mais do que o essencial. Tristes tempos. [...] Tempos de escassez de atitudes de misericórdia – descartar uma pessoa é mais fácil do que se desfazer de um objeto de estimação. Falta estima pelo ser humano. [...] Falta um sonho de vida e sobram angústias pelas ausências desse sonho. [...] A bondade é a filha do amor. Ágape gera a bondade. A bondade é o amor em ação. O mal não pode vencer o bem. Se as atrocidades nos incomodam, se a banalização da violência nos assusta, é preciso ir além.[...].”

Prefiro continuar seguindo a lição de Osvaldo Montenegro em “A lista”. Uma lista de grandes amigos que eu mais via há dez anos atrás, quantos eu ainda vejo todo dia, e quantos eu não os encontro mais... a lista dos sonhos que eu tinha, e quantos eu desisti de sonhar... quantos amores eu jurei pra sempre, mas, quantos eu consegui preservar...

Prefiro continuar tentando ser como há anos atrás, comparando a foto passada com o espelho de agora... refletindo em tudo e os motivos pelos amigos que eu joguei fora, talvez, por não entender os mistérios que eu sondava e não os soube entender... tento valorizar os segredos que eu guardava, porque, pra mim foram incomparáveis, mas, hoje são bobos e ninguém quer saber... as mentiras que eu condenava e quantas eu tive que cometer?...

Difícil é entender que os ‘defeitos’ que sanei com o tempo, exclusivamente para adequar às exigências da sociedade, era o de melhor que havia em mim e eu perdi... quantas lindas canções eu deixei de ouvir, hoje tento assoviar pra apagar o tempo... e quantas pessoas que eu amava, quantas dessas eu posso acreditar que realmente me amam?”

Prefiro continuar fazendo parte da minoria criticada... Prefiro ser chamado de quadrado, mas, respeitando o que meu velho pai em sua simplicidade me ensinou: “fidelidade, amor, respeito, desinteresse pelo ter somado à valorização do ser e a amizade sincera são irmãos inseparáveis”

Prefiro ser amigo, simplesmente!!!

Em suma, infelizmente pode-se dizer que “O que algumas pessoas fazem por amor é incrível, mas, o que outras fazem por interesse é inacreditável”.

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