sábado, 19 de outubro de 2013

A CONDENAÇÃO DO USO DE JÓIAS PELA I.A.S.D. = EQUÍVOCO!!!

Como membro da Igreja Adventista, acredito piamente e procuro ter a Bíblia como norma de fé e prática, ou seja, creio que a Bíblia é a base para o viver cristão. Jóias e adornos, são assuntos conflitantes dentro da I.A.S.D., mas, há equívocos, pois, a Bíblia não proíbe o seu uso. 

Algumas publicações, com citações e comentários pessoais de líderes mundiais da I.A.S.D., apontam que Igreja aceita o uso de jóias funcionaisproíbe o uso das jóias ornamentais, e afirmam que “isto é o que a Bíblia declara com respeito ao uso de jóias.” Grande equívoco. Ledo engano... 

Em 1º Timóteo 2:9-10, Paulo escreveu que "Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas)".

No mesmo sentido, 1º Pedro 3:3-5 pregou que "Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim também que a si mesmas se ataviaram, outrora, as santas mulheres que esperavam em Deus".  

A leitura atenciosa desses dois textos, se lidos sem tendenciosidade e com espírito cristão, não diz nada mais que “Deus não olha o exterior, mas, tão somente o interior.” Há de se destacar que aqui reflito sobre o uso natural de jóias, e não com objetivos religiosos ou de ocultismo, etc...

A I.A.S.D., citando os versículos acima, proíbe o uso de jóias, mas sem explicar biblicamente. Para entender essas passagens, temos que, primeiro, examinar a gramática. Ambas usam uma construção de contraste que serve para enfatizar que uma coisa é importante e a outra de menos valor. Observe que eles dizem que a mulher não deve praticar uma coisa, mas (ou porém) deve agir de outra maneira. Simplesmente, é questão de prioridade, não de proibição.

Não se pode analisar o contexto dos versículos de Paulo e Pedro sem examinar o restante do argumento. Ambos citam mulheres do Velho Testamento como exemplos. Se verificarmos as práticas de tais mulheres santas, aprendemos que o uso de jóias e boas roupas era uma coisa comum. A exemplo disso, Gênesis 24:22, 30 e 53 se refere a Rebeca: Verso 22: E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de ouro;  Verso 30E aconteceu que, quando ele viu o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua irmã, e quando ouviu as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou aquele homem; foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos, à fonte,; e o Verso 53E tirou o servo jóias de prata e jóias de ouro, e vestidos, e deu-os a Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e à sua mãe”.

No mesmo sentido, Isaías 61:10 diz que "Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias.

O uso de jóias ou de roupas finas não foi o ponto principal na vida de nenhuma das mulheres santas da Bíblia. Eram conhecidas como mulheres santas por causa do caráter espiritual e o espírito submisso e humilde. Uma mulher dessas nunca usaria jóias excessivas, nem usaria uma roupa que mostra o corpo de uma maneira sensual. Por quê? Porque ela era santa!

Êxodo 35:20-35 está escrito que: 21 E veio todo o homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o excitou, e trouxeram a oferta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para as vestes santas. 22 Assim vieram homens e mulheres, todos dispostos de coração; trouxeram fivelas, e pendentes, e anéis, e braceletes, todos os objetos de ouro; e todo o homem fazia oferta de ouro ao Senhor; 24 Todo aquele que fazia oferta alçada de prata ou de metal, a trazia por oferta alçada ao Senhor; e todo aquele que possuía madeira de acácia, a trazia para toda a obra do serviço. 25 E todas as mulheres sábias de coração fiavam com as suas mãos, e traziam o que tinham fiado, o azul e a púrpura, o carmesim e o linho fino. 26 E todas as mulheres, cujo coração as moveu em habilidade fiavam os pêlos das cabras.
27 E os príncipes traziam pedras de ônix e pedras de engastes para o éfode e para o peitoral, 28 E especiarias, e azeite para a luminária, e para o azeite da unção, e para o incenso aromático. 29 Todo homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que o Senhor ordenara se fizesse pela mão de Moisés; assim os filhos de Israel trouxeram por oferta voluntária ao Senhor.[...] 31 E o Espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento, ciência e em todo o lavor, 32 E para criar invenções, para trabalhar em ouro, e em prata, e em cobre, 33 E em lapidar de pedras para engastar, e em entalhar madeira, e para trabalhar em toda a obra esmerada.[...] 35 Encheu-os de sabedoria do coração, para fazer toda a obra de mestre, até a mais engenhosa, e a do gravador, em azul, e em púrpura, em carmesim, e em linho fino, e do tecelão; fazendo toda a obra, e criando invenções”.
Pergunta-se: “Se o povo de Israel trazia ofertas em ouro para o Senhor, para a construção de tabernáculos, como poderia isso ter ocorrido, com a aceitação de Deus, se o uso de jóias (anéis, fivelas, braceletes, etc) fosse proibido por Deus? Não seria uma ambiguidade de raciocínios pregado pela própria Bíblia? Não seriam dois pesos e duas medidas?”
Ezequiel 16 demonstra o que Deus fez por Judá, e começa pregando que “E veio a mim outra palavra do SENHOR dizendo:[...] Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo. E te vesti com roupas bordadas, e te calcei com pele de texugo, e te cingi com linho fino, e te cobri de seda.E te enfeitei com adornos, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao redor do teu pescoço. E te pus um pendente na testa, e brincos nas orelhas, e uma coroa de glória na cabeça. E assim foste ornada de ouro e prata, e o teu vestido foi de linho fino, e de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha, e mel e azeite; e foste formosa em extremo, e foste próspera, até chegares a realeza. E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor DEUS. (versículos 9-14)”.
A palavra de Deus é simples, se estudada com espírito cristão e dirigida pelo Espírito Santo, sem tendências, casuísmos ou razões (leia-se vontades e desejos) próprias. E o uso comedido de jóias e adornos, NÃO é pré-requisito exigido por Deus para aceitação e salvação dos Seus filhos. 

Plutarco escreveu em seu tomo Moralia: "Não é o ouro ou pedras preciosas ou escarlata que a tornam assim (decorosas), mas tudo o que envolve daquilo que simboliza a dignidade, bom comportamento e modéstia (Coniuglalia Precepta 141)." 

André Reis, diz que a busca pelas qualidades interiores é uma faca de dois gumes: seu fio atinge àqueles cristãos que tentam fazer do exterior o centro da sua identidade através do adorno exageradamente aparatoso, mas, também atinge àqueles que tentam fazer da abstenção do adorno o centro da sua identidade”.  

A leitura correta dos textos citados por Paulo e os demais revela que devemos evitar proibições taxativas sobre adorno que pretendem fazer do exterior a marca registrada do testemunho cristão. Essa ênfase é justamente o oposto da intenção do texto bíblico, pois torna o exterior e a aparência um teste de fé. Paulo teria dificuldades com a preocupação exagerada com o exterior no afã de manter a “identidade Adventista”. 
E continua: A suposta distinção entre joia funcional e joia ornamental nada mais é que uma tentativa para justificar o fato de que os adventistas em realidade não são contra todo tipo de adorno, apenas alguns tipos de adorno. Mas, a convenção que considera a gravata e seu prendedor, o colete, as abotoaduras, o enfeitado relógio de pulso, a aliança de ouro, o salto alto, o pintar dos cabelos e as luzes como adorno aceitáveis para o cristão precisa tornar-se coerente e considerar também como aceitável e bom gosto a moderação no uso de jóias ornamentais tais como brincos, anéis, colares, o esmalte e a maquiagem”.
E diz ainda que “a preocupação exagerada com jóias e adornos pode ser um sintoma de problemas mais graves com a psiquê adventista atual: o legalismo, a confusão sobre salvação e perfeccionismo”.
De modo que não existe  nenhum texto bíblico proibindo o uso de jóias e adornos. Os escritores bíblicos ensinam é que tudo deve ser usado com coerência, bom senso, e nada de espalhafatos, como tudo na vida de um cristão. Pedro e Paulo não proibiram o uso de adorno, mas, enfatizaram que estes NÃO dever ser a vitrine do caráter da mulher cristã. Isso prova que a posição da IASD sobre jóias e adornos é insustentável.
Finalmente, apesar da ausência da proibição do uso de jóias nas escrituras, é natural e incontestável  que o seu uso deve ser pautado pelo equilíbrio e bom senso, nada de exageros e ostentações. Com isso, o uso adequado de jóias, somente irá emoldurar as qualidades interiores da mulher cristã.
De modo que o argumento de que usar jóias “prejudica” o testemunho dos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia é FALSO e sem nenhum amparo bíblico, o que denota simplesmente a "vontade da liderança", o que não é socialmente e nem biblicamente correto, e se não é correto é errado. 


[1] André Reis é Bacharel em Teologia pela Universidade Adventista de São Paulo, Mestre em Música pela Longy School Music e atualmente é candidato ao Ph.D.em Novo Testamento pela Universidade Adventista de Avondale. Como autor,contribuiu dois capítulos para o livro “En Espíritu y en Verdad” (Pacifc Press, 2013)e é moderador do site www.AdventismoHoje.com e colunista do site Adventist Today(www.atoday.com).

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