Não raras vezes, no decorrer da nossa vida deparamos com perdas irreparáveis. Parece até que um pedaço da vida vai junto... Nossos corações são cravados pela lança da dor e nosso limite parece que foi ultrapassado...
23.11.01, há nove anos, eu perdia meu amigo de fé, meu irmão camarada... meu norte e algumas aspirações.
Uma imensa cratera se abriu. Meus sonhos foram despedaçados, sentimentos dilacerados...
Quando àquele coração parou de bater, cessou com ele a segurança e a união. Certo ar de nebulosidade pairou no céu da minha família. Perdemos parte do bom senso... Deixamos de lado sentimentos nobilíssimos indispensáveis ao cultivo do amor...
Perdi meu encorajador, quem me incentivava em todas as lutas, pequenas ou grandes, com ou sem vitórias, pois, o sucesso era por ele considerado como um mero detalhe.
Lembrava agora do sorriso sempre aberto, eivado de bondade nua e crua, de fraternidade, das brincadeiras, das histórias da vida, das longas conversas. Grandes lições nunca esquecidas...
“A bondade é como uma flor. Fica bem em qualquer lugar”. Essa era a conduta do meu pai. Homem simples, sem muita cultura, porém, piedoso, amável, tratava as diferenças com atenção, carinho e exemplar paciência. Receptivo, ordeiro, probo, referência de trabalho e administração aos parcos recursos que amealhou no decorrer da vida. Probo. Exemplo de bom caráter.
“[...] se eu souber que a morte está querendo me pegar, vou brigar com ela”, brincava ele às vezes. Mal sabia que ela estava rondando seu coração.
Quando as pessoas vivem não é possível mensurar a quantidade de amigos que ela tem. Só se sabe quando esses amigos reúnem para reclamar da perda. Eu não sabia que meu pai tinha tantos amigos... Perdeu quem ficou. Perde-se sempre com o grande mistério da vida, “a morte”.
O que nos dá sentido à vida, força às lutas e coragem para enfrentar nossa missão, são as pessoas que amamos. Elas nos ajudam a construir quem nós somos hoje, o que nos tornaremos amanhã e o que ensinaremos aos nossos filhos.
Em fragmentos, parafraseando e, com algumas inserções próprias, faço minhas as palavras de uma música que ele muito gostava. Nela, Fábio Júnior expressa meu sentimento eterno:
[...] Pode crer, eu tô bem, eu vou indo. Tô tentando, vivendo e pedindo com loucura prá você renascer todos os dias em minha vida...
Eu não faço questão de ser tudo. Só que não quero e não vou ficar mudo prá falar de amor e de você... Obrigado por me ensinar o jogo da vida, onde a vida só paga prá ver...
[...] Pai! Eu não sou mais aquela criança, que por muitas vezes, morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo e nos teus passos, nas suas longas e cansativas viagens, noites e noites sem dormir, você foi mais eu...
Pai! Eu cresci e não houve outro jeito, mas, daria tudo pra recostar no teu peito. Daria minha vida pra tê-lo em minha casa e vê-lo brincar de vovô com minha filha...
Meu pai é meu herói, meu bandido, mais que um amigo que continua fazendo parte do meu caminho...
Saudade, é o amor que fica eternizado!
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